Este trabalho tem por objetivo propiciar ao leitor, uma pequena faceta de entendimento sobre a origem do termo utilizado como nome do site. Também vale esclarecer que, toda palavra tem seu conteúdo embutido nela mesma e, com Sentiência, não é diferente.
Zubiri, (Xavier Zubiri), era apaixonado por “precisão, claridade e concisão”. Apreciava também neologismos léxicos e semânticos e buscava sempre novos termos técnicos. Ressalta muito bem Antonio Pintor-Ramos, que nos escritos zubirianos existe uma “densidade de idéias expressas com todo o rigor da concatenação lógica”. 1.
O termo sentiência foi manifestado pelo filósofo basco José Francisco Xavier Zubiri Apalategui, (1898 a 1983), através da publicação da Inteligencia Sentiente, que foi seu principal trabalho sistemático e em três volumes: Inteligencia y realidad, Inteligencia y logos e Inteligencia y razón; no qual traduz o que pensa sobre o inteligir, conhecer e saber.
Zubiri baseia-se toda a história da filosofia e da ciência para criar uma nova visão filosófica que incorpora elementos fundamentais e insights de praticamente todos os grandes pensadores, mas que também mostra como cada um de seus sistemas se havia modificado.
Considera que a inteligência humana é mera atualização do real na inteligência senciente – do latim: sentiente -, isto é, que sente, que tem sensações, sensível. Ele contesta a oposição entre o inteligir e o sentir que, consequentemente, levava à divisão entre o homem e a realidade.
Zubiri entende que inteligir “é apreender o real como real” 2 e que não se contrapõe ao sentir humano. Pelo contrário, é um ato único de apreensão senciente do real.
Já o sentir é para Zubiri um processo sentiente e não, tão somente, uma atividade fisiológica. Na verdade constitui, de certo modo, a vida inteira estritamente unitária, desencadeado por três momentos:
“suscitación” – é tudo que desencadeia uma ação;
“modificación tónica” – é o estado tônico que precede cronologicamente a ação;
“resposta”– que pode ser variada. 3
Para ele, a inteligência possui um caráter sentiente. Diz: “Não significa que a inteligência está indissolúvel, permanente e estruturalmente entrelaçada com o sentimento”.4 Zubiri assumiu a sensibilidade como acesso à verdadeira realidade. E mais do que isso: “os sentidos nos fornecem os distintos e complexos modos de inteligir”.5
Segundo Pintor-Ramos, Zubiri não pretende contrapor uma nova teoria às teorias tradicionais, mas “antepor a toda possível teoria uma análise elementar e completa dos fatos”.6
BIBLIOGRAFIA
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